O brilho que a saudade deixa
- Silvia Ribeiro Martins
- 19 de abr.
- 2 min de leitura
Esses dias li uma metáfora sobre o luto que o comparava ao glitter, à purpurina, e achei muito interessante. Porque, quando ela cai, não fica só no chão. Ela se espalha. Vai parar na roupa, na pele, no canto da mesa, na mão, em lugares tão pequenos que a gente nem entende como chegou até ali. E mesmo depois de limpar, ainda resta um brilho discreto aqui e outro ali.
Acho que o luto se parece um pouco com isso.
Quando a gente perde alguém que ama, a dor não fica guardada em um lugar só. Ela se espalha pelos dias, pelos gestos mais simples, pelos espaços da rotina que antes pareciam comuns. Aparece numa música, num cheiro, numa frase solta, numa comida, num horário do dia, num silêncio que pesa mais do que o normal. E, às vezes, quando a gente pensa que conseguiu organizar o coração, lá vem ela de novo, tocando de leve uma memória que ainda brilha por dentro.
O luto não fala apenas da ausência. Ele fala, também, da presença que foi imensa, do amor que existiu de verdade, do vínculo que deixou marca. Por isso ele aparece em tantos cantos. Não porque a vida tenha parado, mas porque algumas pessoas seguem existindo em nós de um jeito sensível, silencioso e profundo.
Com o tempo, a saudade muda de forma. Já não toma tudo como antes, mas continua visitando a gente em pequenos detalhes. E isso não diminui a força de seguir. Só mostra que houve amor, houve encontro, houve importância.
Algumas pessoas partem da nossa frente, mas não partem do nosso coração. Continuam deixando um brilho miúdo na memória, na maneira como sentimos o mundo, nas lembranças que aquecem e também apertam. Acolher o luto, é tratar a saudade com carinho, sem pressa, entendendo que o amor, quando foi verdadeiro, sempre encontra um jeito de permanecer.
Dedico este texto a todas as pessoas que fizeram parte da minha vida e precisaram se despedir dessa realidade. A saudade será eterna, mas o que permanece é o amor que construímos em vida.
Com amor, Silvia.



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